JK

SUBESPÉCIE MAXIMILIANI
CANTO GOIANO

A história deste grande bicudo tem início no ano de 1.986, na praça da Bandeira, na cidade de Lins – SP, onde os passarinheiros costumavam se encontrar.

Foi para lá que se dirigiu o Sr. Mário Luiz Ferreira Antunes, pois ele procurava um bicudo para galar uma fêmea que possuía. O Sr. Mário viu o JK e soube que o proprietário o estava vendendo. Ele fez uma oferta e o proprietário disse que o pássaro era valente, mas que não sabia se era um galador ou não. O Sr. Mário adquiriu o pássaro, que naquele momento estava passando 2 a 3 cantos. Assim que ele comprou e deu umas voltas pela praça, o danado disparou a cantar, sendo que o antigo dono tentou desfazer o negócio, mas o Sr. Mário, que já havia pagado o preço pedido, catou a gaiola e foi embora.

Estima-se que nesta época ele tinha cerca de 4 anos de idade. Era mateiro, sendo que se acredita que tenha vindo de Goiás, passando por Marília. Quem o vendeu para o Sr. Mário foi o Sr. Joaquim Cafelândia, que comercializava pássaros ornamentais. E dizem que o Sr. Joaquim o trocou por uma fêmea de curió. JK usava anilha aberta do IBDF de número 20.

Quando o Sr. Mário chegou em casa, JK viu a fêmea e ficou louco, cantando cada vez mais, até que 2 meses depois a fêmea já estava galada e dando seus primeiros filhotes. Logo na primeira cruza saiu o Terrível, bicudo muito repetidor.

Uma das passagens inesquecíveis deste bicudo ocorreu em Lins, quando o falecido Sr. Scatena viu o JK passar uma infinidade de cantos e inclusive botar para correr um bicudo do também falecido Sr. Pelé e 2 bicudos que estavam na área treinando para um torneio no dia seguinte. O Sr. Scatena ficou maravilhado com o JK e pediu para o Sr. Mário colocar preço. A disputa foi feroz, com o Sr. Scatena insistindo para comprá-lo, inclusive disse para o Sr. Mário que o Escurinho (grande bicudo de propriedade do Sr. Scatena) tinha preço, porque o JK não ?. O Sr. Mário respondeu que o Escurinho podia ter preço, mas o JK não e acabou não vendendo. Naquele dia o Sr. Mário poderia ter vendido o JK pelo preço que quisesse, porém sua paixão pelo bicudo falou mais alto. Além desta tentativa, por várias vezes outros tentaram comprá-lo, sem sucesso.

Depois disto, o Sr. Pedro Junqueira que já possuía um excelente bicudo de nome Riscado e queria criar com o JK, pediu p/ o Sr. Paulo Roberto Milian consultar o Sr. Mário para ver se ele o vendia. O Sr. Mário, finalmente, concordou e pediu uma quantia bastante alta para a ocasião. Depois das idas e vindas da negociação, o Sr. Mário propôs fazer uma sociedade em 3, sendo que os outros 2 (Pedro Junqueira e Paulo Roberto) dariam uma quantia a ele, que cederia o JK para criar e ficaria com 6 filhotes em cada temporada.

Foi daí que nasceram novos filhotes repetidores : Apolo, Guerreiro, Garrincha, Foguinho. Ele deu certo até com uma fêmea “parazinha” de nome Sapatão com quem teve excelentes filhotes repetidores. Uma característica marcante deste bicudo era sua capacidade de transmitir sua genética, dando bons filhotes repetidores com qualquer fêmea.

O primeiro torneio no qual o JK participou, foi em Pirassununga, ficando em terceiro lugar. Daí em diante ele participou em Lins, ganhando em primeiro lugar, sendo que se tornou imbatível na Categoria Peito de Aço. Conta-se que foi em um torneio em Ribeirão Preto que ele mais repetiu (47 cantos sem parar), o que o consagrou. Dizem que quando chegava o Sr. Mário com o JK, os concorrentes desanimavam e dizima “lá vem o JK, o capeta”.

Alguns dos descendentes do JK que hoje fazem sucesso e que estão dando descendentes com qualidade de ponta :

- Apolo do Sr. José Gradela de São José do Rio Preto / SP;

- Latino do Sr. Amaral de Dracena / SP;

- Guerreiro do Sr. Eider de Bauru / SP;

- Pedro Primeiro do Sr. Miguel Tanamati de Londrina / PR;

- Boca de Ferro e Pacco Rabane do Sr. Wagner Marques de São Paulo / SP.

- Granfino do Sr. Geraldo Magela de São Paulo / SP.

JK morreu em 1.999, aparentemente vitimado pela coccidiose, alguns meses depois que o Sr. Mário o trouxe para casa, da fazenda do Sr. Pedro Junqueira em Presidente Epitácio. Pouco antes, o Sr. Mário já havia perdido outro bicudo, de nome Foguinho. Antes de morrer ele deixou mais um filhote, de 1.999, que hoje está com o filho do Sr. Mário. Uma passagem emocionante desta história diz respeito ao momento em que o Sr. Mário comentou com o Sr. Paulo Roberto que haviam morrido o Foguinho e o JK, e agora só faltava ele. Pois pouco tempo depois, no ano 2.000, o Sr. Mário veio a falecer.

Uma grande alegria é que o JK deixou muitos descendentes portadores de sua genética, perpetuando assim a raça deste extraordinário bicudo.

Fonte : COBRAP

 

SOBE E DESCE

SUBESPÉCIE MAXIMILIANI

CANTO GOIANO

Sobe e Desce era um bicudo mateiro e usava anilha aberta do IBDF, pois naquela época a legislação permitia. Existem duas versões sobre o local onde teria sido capturado: uns dizem que foi em Catalão / GO e outros dizem que foi em Vazante / MG, sendo que esta última parece ser a mais correta.

Sobe e Desce apareceu nas rodas pelas mãos do Sr. Romeu Ambrósio de Brasília / DF. Estima-se que já tinha cerca de 10 anos de idade quando se destacou. Enquanto pertencia ao Sr. Romeu, não ganhou nenhum título.

Foi adquirido pelo Sr. Namyr Jafet do Rio de Janeiro / RJ, em 1.988, com quem ficou até morrer.

Antes de passar às mãos do Sr. Namyr, dava 3 cantos. Depois passou a dar 13, 15 até 20 cantos. Seu canto no início era mais alto, depois, com mais idade, seu canto ficou macio e mais suave.

Sobe e Desce se destacou pela extraordinária fibra que possuía, sendo um dos bicudos que apresentou o maio número de cantos até hoje em torneios oficiais (conta-se que chegou a dar 235 cantos em um torneio de Barbacena, marcado por 5 marcadores, que ficavam maravilhados ao ver a quantidade de cantos que ele apresentava). Em média dava 170 a 180 cantos nos torneios que disputava.

Caracterizava-se pela regularidade que apresentava. Em todos os torneios que disputava, sempre se apresentava dentro da média. Sempre estava entre os primeiros lugares. E foi campeão seguido de 1.989 até 1.995. Em um dos anos que foi campeão, deixou de participar de 3 torneios, chegando a ficar com 60 pontos atrás do primeiro lugar durante a competição. Porém, no final do campeonato, já havia recuperado o atraso e ganhou com 60 pontos à frente do segundo lugar.

Sobe e Desce era um extraordinário galador, não falhando nenhuma galada. Deixou inúmeros descendentes, sendo que o próprio Sr. Namyr ficou com um filho (Peão) que chegou a ganhar 4 campeonatos. Nos torneios regionais do Rio hoje, a maioria dos ganhadores são seus descendentes.

Sobe e Desce recebeu a homenagem como pássaro do século, dado pela Febascri do Rio de Janeiro.

Uma passagem de sua carreira foi que em 1.987, em um torneio em Brasília, Batuque e Sobe e Desce ficaram em primeiro e segundo lugares, respectivamente, porém a marcação foi anulada e na recontagem ficaram em 16 e 17 lugares, quando então seu proprietário (Sr. Romeu) quebrou o troféu em protesto.

Sobe de Desce faleceu em 1.996, de morte natural, depois de ficar cego, durante sua carreira, o Sr. Namyr recebeu propostas elevadas de valores por ele, sendo que um banqueiro chegou a oferecer um cheque em branco, tendo sido recusado.

Fonte : COBRAP

 

 

JEQUITIBÁ

SUBESPÉCIE MAXIMILIANI

CANTO FLAUTA

A natureza esconde suas maravilhas para que nós, com o nosso esforço, dedicação e, muitas vezes, sorte, possamos descobri-las. E assim foi que a natureza nos deu o Jequitibá.

O saudoso Dr. Luiz Fernando Rodrigues Costa, de Barbacena / MG, por volta de 1.990, possuía dois grandes bicudos de fibra, Carnaval e Confete, originários respectivamente dos bicudos repetidores por ele adquiridos : Barbacena e Negrinho, de santos Dumont, e de uma fêmea vinda de Uberlândia / MG, de nome Uberlândia.

Carnaval era a estrela, participante de torneios de fibra sempre com grandes resultados. Era o preferido. Enquanto Confete, mais tranqüilo, repetindo menos, mas com grande fibra, não tinha o mesmo brilho do irmão e ficava em segundo plano. Além destes dois bicudos, tinha a fêmea Uberlândia, já em idade bem avançada, vivendo em um pequeno viveiro de arame, quase esquecida e que ainda por cima era difícil de ser galada, pois só deitava no poleiro e mais ainda, botava religiosamente fora do ninho, quebrando os ovos: por tudo isto, não era mais utilizada na criação.

Quis o destino que o Dr. Luiz se ausentasse de Barbacena por um longo período, de aproximadamente 2 meses, para cuidar da reforma de sua casa de praia. Foi então que o Sr. Flávio, então vereador em Barbacena, auxiliando o tratador do Dr. Luiz, e sabedor da história da velha fêmea Uberlândia, estendeu uma toalha sob os poleiros do pequeno viveiro e soltou o Confete para cortejar e galar a fêmea, o que aconteceu uma única vez. A fêmea botou dois ovos que foram amparados incólumes pela toalha salvadora e cuidadosamente colocados pelo Sr. Flávio para outra fêmea chocar, a Luana, que era a estrela da criação.

Em 03 de março de 1.991 nasciam dois filhotes que foram tratados com carinho tanto por Luana como pelo Sr. Flávio, recebendo os anéis SERCA-208-007 e SERCA-208-004. O primeiro se tornaria o Jequitibá e o segundo, uma fêmea, que hoje tem a localização desconhecida. Consta que o filhote macho, após 35 dias, foi trocado com o tratador, pelo Flávio, por uma televisão preto e branco, comprada à prestação.

Mas havia um problema. Passava-se o tempo e o filhote não cantava, a ponto de ser considerado fêmea. E nunca cantou enquanto pardo. Até que finalmente pintou – era macho.

E pintado veio a Belo Horizonte em fins de 1.992, ao torneio final do campeonato Rio – Minas no Mineirinho. Já cantava muito e então, disputando na estaca peito de aço, tirou primeiro lugar com mais de cem repetições. E nunca mais parou. Ainda em 1.993 começou a participar dos torneios nacionais a partir de Outubro e, mesmo assim, sagrou-se, após inúmeras vitórias, o bicudo revelação do Brasil.

Nascia um verdadeiro campeão!

Mas o destino é caprichoso: no final do campeonato nacional de 1.993, seu proprietário, Sr. Flávio, foi suspenso pela FENAP, pelos quatro torneios da temporada seguinte e, em 1.994, Jequitibá iniciou sua temporada na quinta etapa, com o Sobe e Desce já disparado com 80 pontos à sua frente. O Jequitibá iniciou então sua reação espetacular, ganhando os seis torneios seguintes e, após o torneio de Jacarepaguá, penúltimo da temporada de 1.994, apenas 1 ponto o separava do Sobe e Desce – a decisão seria em Rio Verde / GO.

Mas então, como uma homenagem e deferência merecidas ao grande e campeoníssimo Sobe e Desce, que já se encontrava quase cego, Jequitibá não compareceu a Rio Verde. Sagrou-se campeão o velho e saudoso bicudo Sobe e Desce, numa escalada impressionante, sem precedentes, de 1.989 a 1.994 (6 anos ininterruptos) e Jequitibá foi seu vice.

Já em 1.995, foi disparado o grande campeão nacional com nove títulos de primeiro lugar, com performances extraordinárias, se aproximando de 200 cantos nas marcações finais.

Em 1.996 foi vice-campeão nacional pois o campeão à época, participava sómente dos torneios da FENAP onde o Jequitibá não estava (já naquela época o campeonato patrocinado pela FENAP tinha mais de um torneio por domingo).

Neste mesmo ano de de 1.996, no torneio de São Gonçalo, foi vendido ao sr. Guima de Rio Verde / GO, por uma pequena fortuna, após sagrar-se campeão do torneio com 222 cantos, recorde até então. E foi com o sr. Guima, no torneio de Paracatu / MG, em 1.998, que se viu a maior performance de um bicudo de fibra de todos os tempos. O bicudo Natureza, já de propriedade do sr. Wagner Triginelli, havia cantado 195 cantos na marcação final, em um torneio pesado, e já começava a receber os comprimentos pela vitória. Mas ainda faltava marcar o Jequitibá! Por volta das duas horas da tarde começou a marcação dos cinco últimos bicudos, entre eles o Jequitibá. Diante de 4 marcadores e do chefe da roda, voando por toda a gaiola e passando até dezoito cantos por vez, o Jequitibá atingiu os 238 cantos (recorde absoluto até hoje). Sagrou-se campeão nacional de 1.998.

Depois disto, foi a vez do sr. Chico Roque, de Niterói / RJ, ter a felicidade de possuir aquele que já era uma lenda nacional como um dos maiores bicudos de fibra do Brasil. Com o sr. Chico Roque, O Jequitibá foi um mestre, maravilhando a todos com sua categoria inigualável, ganhando torneios e mais torneios, sendo sempre a estrela maior de todas as disputas.

O sr. Wagner Triginelli, que acompanhava a trajetória do Jequitibá desde 1.992, quando o viu pela primeira vez ainda pintado, desenvolveu uma admiração e uma afinidade ímpares com este bicudo. Tentou adquiri-lo por três ocasiões : a primeira com o sr. Flávio em 1.996, fracassada; a segunda com o sr. Guima, em 1.999, fracassada; e, finalmente, com o sr. Chico Roque, em 2.001, na véspera do torneio de Petrópolis, no hotel em Niterói, no apartamento do sr. Batista, o negócio foi finalmente fechado.

E o Jequitibá permaneceu sob os cuidados e afetos do sr. Wagner Triginelli, seguindo sua trajetória extraordinária, ganhando sempre, dando seus shows por onde passava, atraindo as atenções e despertando todos os interesses nos mais diferentes torneios por esse Brasil afora, até a sua morte.

Fonte : COBRAP

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